Investigadores
da universidade de Quioto criam células pluripotenciais
sem recorrer a embriões humanos.
Cientistas
japoneses induzem células da pele humana a transformarem-se em algo muito
próximo de células estaminais embrionárias. A novidade poderá facilitar a
investigação nesta área controversa, uma vez que constitui uma fonte
alternativa desatas células “especiais” – são células com a capacidade de
virtualmente se diferenciarem em praticamente todos os tecidos do corpo humano.
Desta forma os investigadores
esperam poder contornar os constrangimentos éticos que a produção (e posterior
destruição) de embriões humanos implica.
Os autores do
estudo realizado na universidade de Quioto, encabeçado por Shinya Yamanaka,
garantem que as células convertidas possuem os mesmos traços distintivos
daquelas que lhes servem de modelo; possuem uma estrutura física e genética
muito parecidas – por essa razão são conhecidas como células estaminais
“induzidas” e “pluripotentes”. Estas semelhanças permitem às células
convertidas imitar uma qualidade única das células estaminais embrionárias: a
capacidade de se transformarem em praticamente todos os tecidos do corpo
humano.
A equipa
liderada por Shinya Yamanaka conseguiu reprogramar células humanas adultas ao
inserir novos genes em cada uma delas. Para conseguir introduzir estes
“pedacinhos de proteína” nas células
epiteliais
adultas, os investigadores utilizaram os vírus – um método de transporte muito
usado pelos cientistas para fazerem chegar “encomendas” até ao interior das
células.
Quatro Genes Decisivos
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Também um grupo
da universidade de Wisconsin, nos Eu, liderado pelo professor James Thomson,
trabalhou na obtenção de células “pluripotentes” a partir de tecidos já
formados. Neste caso tratou-se da introdução de quatro genes específicos em
células humanas do tecido conjuntivo (os chamados fibroblastos). Todavia,
com a diferença de que, em vez de serem adultas, são retiradas de fetos ou do
prepúcio de recém-nascidos – mantendo, em parte, a problemática ética.
A despeito
disso, a vantagem das descobertas de Yamanaka e de Thomson reside na percepção
de que aquelas intervenções podem evitar os fenómenos de rejeição por
utilizarem material genético do próprio doente. Pelo que, uma das novidades
mais importantes consiste precisamente na possibilidade de virem a ser obtidas
células-mãe sem recorrer a técnicas de clonagem e sem utilização de embriões ou
ovócitos.
A extrema
importância destes estudos consiste sobretudo no facto já referido de se tornar
possível, a partir de células diferenciadas de um tecido adulto (por exemplo, a
pele), obter células características de células estaminais embrionárias, ou
seja, células com potencial para originar todos os tipos de células de um
organismo. Para além de que é um procedimento que se antevê de mais rápida
execução e menor investimento técnico e monetário do que o da clonagem embrionária.
Mas, apesar de
tudo, Shinya Yamanaka adverte que “ainda há um longo caminho a percorrer” antes
de se obter a cura ou o tratamento de doenças como a diabetes, Alzheimer e Parkinson.
Por outro lado, é preciso ainda provar que estes resultados não são devidos a
fenómenos aleatórios subjacentes à integração dos vectores de origem vírica
utilizados no genoma das células.
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